O cenário de quedas de idosos no Brasil
- Renato Cunha Carvalho Silva
- 27 de abr.
- 5 min de leitura

O cenário de quedas de idosos no Brasil demonstra uma tendência de crescimento contínuo, consolidando-se como um desafio crítico de saúde pública:
2023: Foram registradas 176.650 internações hospitalares no SUS por quedas de idosos. Além disso, os atendimentos ambulatoriais (sem internação) somaram 120.228 ocorrências.
2024: Apenas nos primeiros oito meses do ano, o Brasil já contabilizava 122.195 internações. O ano encerrou com um total alarmante de 344 mil ocorrências (incluindo atendimentos e hospitalizações), resultando em 13.385 óbitos.
2025: Projeções técnicas iniciais estimavam cerca de 150.000 internações anuais. No entanto, os dados parciais indicam que a realidade pode superar as expectativas, com mais de 62.000 internações registradas apenas nos primeiros meses do ano.
Detalhes Relevantes:
Prevalência Geral: Cerca de 62,7% dos idosos brasileiros já sofreram pelo menos uma queda.
Locais Críticos: O banheiro e o quarto permanecem como os cômodos mais perigosos, concentrando a maioria dos acidentes domésticos.
Gravidade: Aproximadamente 12% das quedas resultam em fraturas, sendo que 90% das fraturas de fêmur em idosos são causadas por quedas.
As internações decorrentes de quedas em 2025 exercem um impacto profundo e multifacetado na economia prateada no Brasil, afetando desde a sustentabilidade dos sistemas de saúde até a autonomia financeira das famílias.
Os principais impactos identificados são:
1. Sobrecarga Financeira nos Sistemas de Saúde (Público e Privado)
Custos Milionários: As projeções técnicas para 2025 estimam que as internações por quedas no Brasil se aproximem de 150 mil ocorrências, gerando um custo direto apenas para o SUS de aproximadamente R$ 260 milhões.
Custo da Gravidade: Quedas que resultam em fraturas de fêmur são particularmente onerosas; historicamente, o SUS gastou mais de R$ 1 bilhão com essas internações em um período de 14 anos, e o custo por internação individual mais do que dobrou nas últimas duas décadas.
Impacto no Setor Suplementar: Para planos de saúde e Instituições de Longa Permanência (ILPIs), uma única queda representa custos altíssimos com cirurgias, UTIs e reabilitação, o que impulsiona a busca por dispositivos de prevenção.
2. Redução da Autonomia e Capacidade Funcional
Perda de Independência: As quedas são uma das 10 condições de saúde que mais causam incapacidade funcional, comprometendo a mobilidade e a qualidade de vida de forma definitiva.
Efeito Cascata Econômico: Quando um idoso perde a autonomia, há uma demanda imediata por cuidados maiores de familiares e cuidadores formais, o que muitas vezes retira membros economicamente ativos da família do mercado de trabalho ou exige gastos extras com assistência domiciliar.
3. Retração do Consumo e Isolamento Social
Síndrome Pós-Queda: Além do dano físico, o impacto emocional (medo de cair novamente) leva o idoso a reduzir atividades físicas e sociais. Na economia prateada, isso se traduz em uma redução do consumo de lazer, turismo e serviços, afetando o dinamismo desse mercado.
O receio excessivo de sofrer um novo acidente leva o idoso a reduzir drasticamente suas atividades físicas e sociais.
Isolamento Social: O idoso passa a evitar sair de casa e participar de grupos comunitários, o que restringe sua participação social.
Impacto na Economia Prateada: Essa retração traduz-se em uma diminuição do consumo de serviços externos, como lazer, eventos sociais e turismo, afetando a circulação de capital nesse nicho de mercado.
O medo de cair funciona como uma barreira psicológica que limita a realização de tarefas cotidianas.
Perda de Independência: A insegurança emocional pode resultar em dependência funcional para tarefas diárias, exigindo que a família ou o próprio idoso invista recursos em cuidadores ou assistência domiciliar.
Declínio Físico: A inatividade causada pelo medo gera perda de massa muscular e piora o equilíbrio, criando um ciclo vicioso que aumenta o risco real de novas quedas e, consequentemente, de gastos com saúde.
A queda é um dos principais fatores que levam à institucionalização do idoso, alterando drasticamente a gestão do patrimônio familiar e o perfil de gastos da pessoa idosa.
Adaptação Residencial:
Há um crescimento no setor de serviços para adaptação de ambientes domésticos (como barras de apoio e pisos antiderrapantes), visto que a maioria das quedas ocorre dentro de casa durante atividades rotineiras.
Em suma, as internações em 2025 não são apenas eventos isolados de saúde, mas vetores de instabilidade econômica que sobrecarregam o Estado e as famílias, criando, ao mesmo tempo, um mercado robusto para tecnologias assistivas e preventivas.
O medo de cair, tecnicamente associado à síndrome pós-queda, afeta o consumo e o comportamento econômico dos idosos ao provocar uma retração em seu estilo de vida e uma mudança nas prioridades de gastos.
Mas não é só isso. A economia direta para o SUS ao prevenir quedas na população idosa é significativa, uma vez que o tratamento desses acidentes consome recursos crescentes e milionários do orçamento da saúde pública.
Os principais dados sobre o impacto econômico e a economia potencial são:
Custos Projetados para 2025: Estima-se que, se o padrão de crescimento das internações não for alterado, o SUS gastará aproximadamente R$ 260 milhões apenas no ano de 2025 com cerca de 150 mil internações por quedas.
Custo de Fraturas de Fêmur: Este é um dos componentes mais caros do tratamento. Entre 2002 e 2016, o SUS teve um gasto superior a R$ 1 bilhão apenas com internações de idosos por fratura de fêmur. Cerca de 31,8% desses casos exigem intervenções cirúrgicas complexas, como a colocação de próteses.
Aumento Progressivo dos Gastos: Observou-se um crescimento anual de aproximadamente 9,6% nos custos totais com internações por quedas no Brasil entre 2000 e 2020. Embora o tempo médio de permanência hospitalar tenha se mantido estável (entre 6 e 7 dias), o custo por internação individual mais do que dobrou nesse período de 20 anos.
Impacto da Prevenção: A implementação de programas de prevenção é vista como um investimento de alto retorno, pois evita gastos com cirurgias, UTIs, fisioterapia intensa e cuidados de longa duração. Intervenções baseadas em atividades físicas (força e equilíbrio) e adequação de ambientes são citadas como as de melhor custo-benefício para reduzir esse ônus financeiro.
Dessa forma, a prevenção atua diretamente na redução da sobrecarga da rede de serviços e na liberação de recursos que seriam destinados a tratamentos de alta complexidade decorrentes de acidentes domésticos evitáveis.
O custo médio por internação decorrente de quedas no SUS, que é a principal causa das fraturas de fêmur em idosos, atingiu R$ 1.787,00 no ano de 2020. Esse valor demonstra uma tendência de crescimento acentuado, tendo mais do que dobrado em um período de 20 anos, já que em 2000 o custo médio era de R$ 728,00.
Considerando especificamente as fraturas de fêmur, o impacto financeiro é massivo: entre 2002 e 2016, o SUS teve um gasto superior a R$ 1 bilhão apenas com internações de pessoas idosas por essa lesão. A onerosidade desse tratamento deve-se, em grande parte, à sua complexidade, visto que 31,8% das quedas que resultam em fratura de quadril ou fêmur exigem cirurgia para a colocação de prótese.
Outros detalhes relevantes sobre esses custos e riscos incluem:
Projeções para 2025: Estima-se que os gastos totais do SUS com internações por quedas alcancem R$ 260 milhões anuais.
Prevalência: Cerca de 90% das fraturas de fêmur em idosos no Brasil são causadas diretamente por episódios de quedas.
Gravidade e Mortalidade: Além do custo financeiro, a fratura de fêmur é uma das consequências mais graves das quedas, podendo comprometer definitivamente a mobilidade e independência, além de elevar o risco de morte devido a complicações como pneumonia e trombose.



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